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sábado, 2 de julho de 2011

Teoria Musical - Dicas para ensaios vocais

O ensaio deve fazer parte da rotina de todo músico. Algumas pessoas tem uma visão fantasiosa a respeito dos músicos de sucesso supervalorizando a questão da INSPIRAÇÃO. Mas qualquer músico que se esforça para oferecer o melhor em seu ministério sabe que inspiração é importante, mas TRANSPIRAÇÃO é fundamental.

O ensaio é a hora da transpiração, de dedicar tempo e atenção para que a música seja feita com qualidade. Já ouvi muitos comentários do tipo: "Nós ensaiamos tanto mas nada dá certo!" Talvez o ensaio não esteja sendo feito de forma eficaz e foi pensando nisto que resolvi indicar alguns caminhos para que você chegue no ponto que deseja.

1. REGULARIDADE

Procure fazer ensaios constantes, no mínimo uma vez por semana, isto é importante para integração a musical.

2. TEMPO

Uma duração ideal para um bom ensaio deve ser em torno de duas horas. É difícil conseguir resultados reais em menos tempo, se você quiser fazer um ensaio mais longo dê um pequeno intervalo para água e descanso, precisamos lembrar que a voz é um instrumento delicado.

3. PRESENÇA

A presença no ensaio deve se tornar obrigatória, não é justo que o grupo todo ensaie e no momento da apresentação seja prejudicado por um "penetra" não é ?

4. ESTRUTURA

É importante ter um local específico para ensaio, um lugar quieto onde o grupo possa ter um pouco de privacidade. O ensaio vocal deve ser sempre acompanhado por um instrumento harmônico ( teclado, piano, violão, guitarra) que garanta a afinação do grupo.

5. AQUECIMENTO

Pense na voz como parte de seu organismo. Quando você abre os olhos de manhã, logo pula da cama e sai correndo pelo quarteirão para se exercitar ??? Claro que não! Da mesma forma a voz precisa se espreguiçar, precisa acordar, precisa aquecer. Exercícios de relaxamento, de respiração e alguns vocalizes tem esta função na técnica vocal. O grupo, ou alguém do grupo, precisa investir em uma boa aula de técnica vocal.

6. MATERIAL VISUAL

Todo material escrito ajuda na memorização. Se souber escreva os arranjos, se não souber, registre ao menos a letra e acordes e distribua cópias. Peça que as pessoas anotem o que está sendo combinado: onde abrir voz, variações de dinâmica, repetições, etc.

7. MATERIAL AUDITIVO

Se você vai ensaiar músicas já registradas em Cd, leve a gravação para que todos ouçam o arranjo original. O desenvolvimento da percepção musical é imprescindível para o bom cantor.

8. ORGANIZAÇÃO

O ensaio precisa ter direcionamento, é bom que o repertório e o roteiro do ensaio estejam pré-definidos. Os vocais de apoio devem ser agrupados com alguma lógica: homens e/ou mulheres, por naipes (sopranos, contralto, tenor, baixo), ou da maneira que você achar melhor, mas faça desta divisão algo automático na cabeça do grupo.

9. PERSEVERANÇA Tenha paciência e não desista.

10. ACREDITE

Ninguém lhe conhece tão bem como você mesmo, por isso você é o único capaz de traduzir em sonoridades aquilo que quer representar. Lembre-se, como cantor, você torna-se a voz do seu público, acreditando em si mesmo estará fazendo com que acreditem em ti.

Namastê.


Teoria Musical - As partes da música


MÚSICA:   É a arte de manifestar os diversos afetos de nossa alma mediante o som.
É a arte de combinar os sons simultânea e sucessivamente, com ordem, equilíbrio e proporção, dentro do tempo.
 
• As principais partes que constituem a MÚSICA são:

1)  HARMONIA É a combinação dos SONS SIMULTÂNEOS (dados de uma só vez). É a concepção vertical da Música.

2) CONTRAPONTO É o conjunto de melodias dispostas em ordem simultânea. É a concepção ao mesmo tempo horizontal e vertical da Música.

3) RÍTMO É a combinação dos valores tempo.

4) MELODIA – É a combinação dos SONS SUCESSIVOS (dados uns após outros). É a concepção horizontal da Música.



Teoria Musical - Saúde Vocal

Como músico sempre me deparei com intérpretes dos mais diferentes estilos musicais. Já participei de produções de samba, pop, rock, rock alternativo, metal, glam, R&B, soul, jazz, rap, hip hop entre muitos outros, mas um dos gêneros que mais me chama a atenção pelo uso de sobressalentes técnicas vocais tem sido o hardcore e o rock shymphonic.
O hardcore/punk rock é um gênero musical que surgiu no movimento punk como forma de protesto e é característico por suas letras curtas, cantadas de forma agressiva. Você certamente já deve ter escutado um cantor de hardcore e pensado "meu Deus, como ele consegue terminar o dia e ainda ter voz para conversar?". É simples. Tudo de trata de uma técnica vocal para utilizar a voz da maneira correta sem 'gastá-la', preservando-se assim também a saúde vocal do intérprete.
Nos próximos posts frizarei bastante a questão das técnicas de manutenção e saúde vocal, começando por este.
Vamos então falar de saúde vocal.

 A utilização da voz humana como forma principal ou exclusiva de trabalho categoriza as profissões em dois grandes grupos: vocais e não-vocais.

As áreas da comunicação e artes, em especial os locutores, cantores e atores fazem parte do grupo dos profissionais vocais. Para estes a voz é seu principal instrumento de trabalho, embora nem sempre eles tenham consciência disso. É importante ressaltar que para ser um bom profissional desta área é fundamental cuidar bem da voz, mantendo saúde e estética vocal. Para tanto deve-se buscar a orientação e acompanhamento vocal com profissionais habilitados, pois a manutenção saudável e estética da voz garantem a estes permanência no mercado de trabalho.

Hoje, na era da comunicação, já é mito afirmarmos que somente os vocalmente "bem-dotados" podem exercer profissões vocais. As práticas fonoaudiológicas, legalmente reconhecidas na área da saúde, auxiliam no desenvolvimento do potencial vocal saudável sem recursos medicamentosos ou cirúrgicos. Apesar disso, o desconhecimento da higiene vocal tem levado muitos a manifestarem doenças laríngeas leves, e as freqüentes repetições destas afecções chegam até mesmo à agravamentos que culminam em tratamentos cirúrgicos.

O alto índice de alterações vocais nos profissionais da voz tem merecido especial atenção dos fonoaudiólogos, pois a utilização da voz inadequada, resulta em uso abusivo do aparelho fonador. A exposição aos fatores nocivos como falar/cantar prolongadamente em ambientes ruidosos, sem tratamento acústico apropriado, ou mesmo o inocente hábito de pigarrear bruscamente, sempre antes do ato da fala, deixam o falante mais vulnerável. Alguns profissionais utilizam erradamente como prevenção aos problemas vocais pastilhas, conhaques, gengibre, sprays, entre outros. É ainda muito comum encontrarmos locutores, atores e cantores dedicando grande parte do seu tempo em ensaios e preparos de leituras, sem contudo investir igual atenção na forma saudável de apresentá-las.

É preciso conhecer e desenvolver medidas preventivas, mudando pequenos hábitos e comportamentos no nosso cotidiano, não apenas quando a rouquidão aparece. Alguns cuidados básicos devem ser observados, como:

1- disciplinar os horários de trabalho para que haja repouso vocal após cada apresentação;

2- hidratar-se com 7 à 8 copos de água por dia;

3- evitar a ingestão de drogas inalatórias ou injetáveis que têm ação direta sobre o laringe e a voz, além de alterações cardiovasculares e neurológicas.

4- evitar o uso do fumo, inclusive da maconha, pois a aspiração provoca um super aquecimento no trato vocal deixando a voz mais grave (grossa);

5- utilizar roupas leves que permitam a livre movimentação do corpo, principalmente na região do pescoço e cintura, onde estão situados a laringe e o músculo diafragma;

6- evitar a ingestão de refrigerantes, comidas gordurosas ou condimentadas, pois estes produzem gases e refluxo gastroesofágico prejudicando os movimentos respiratórios, além de lesar a mucosa;

7- evitar as mudanças bruscas de temperatura no ar ou líquido;

8- realizar exercícios de relaxamento regularmente, liberando a tensão corporal evitando a produção vocal com esforço e tensão;

9- realizar avaliações auditivas e fonoaudiológicas periódicas.

10- manter a melhor postura da cabeça e do corpo durante a fala ou canto.

O melhor seguro que os profissionais vocais podem fazer para preservar seu instrumento de trabalho é manter a saúde vocal.




terça-feira, 28 de junho de 2011

Masterização - Itens a serem corrigidos

Nesse post citarei alguns itens que precisam de atenção especial e devem ser corrigidos durante o processo de masterização para que ao final do processo de gravação você possa ter seu demo de qualidade, com um som de alta classe.
Os itens que você deve estudar durante o processo da master são os seguintes:

NÍVEIS

As canções e os níveis do programa precisam ser ajustados para manter uma proporcionalidade de canção para canção.
Nas fitas DAT, as mixagens podem somente ser altas (zero digital). Se uma mixagem possui picos transientes (caixa, por exemplo) que ultrapassa o nível médio do programa, o volume geral pode parecer mais baixo, comparado com outras mixagens. Nossa masterização fará correções nos transientes usando um "read-ahead" digital limiter ou algumas vezes simplesmente redesenhando a forma de onda do pico com objetivo de elevar o volume geral.
 


 
CARACTERÍSTICAS TONAIS (EQUALIZAÇÃO)

Enquanto a maioria das mixagens podem soar "matadoras", elas podem ser extremamemte melhoradas através de um cuidadoso ajuste de EQ (equalização).
Um problema comum na maioria das mixagens é o das freqüências mascaradas, que ocorre tanto em mixagens realizadas em casa quanto em mixagens realizadas em super estúdios.

RUÍDO

O ruído é um grande inimigo. Nosso processo de masterização removerá ruídos indesejáveis no início e fim do seu material.
Quando ruídos do sistema podem ser percebidos mas não eliminados com equalização podemos utilizar um sistema de redução de ruídos inteligente.

DE-ESSING

A "sibilância" (ssssssss) pode ser reduzida utilizando-se uma compressão dependente de freqüência.


ADIÇÃO DE EFEITOS

Em algumas situações, a masterização pode ser um momento para se acrescentar efeitos de alta qualidade a uma gravação a qual o artista/produtor considerem muito "seca" ou deixando a desejar de alguma forma. Utilizado com bom senso este tipo de procedimento pode propiciar grandes resultados.
Alguns efeitos momentâneos podem ser desejados, um eco ou "delay" em uma pequena parte de uma parada da bateria ou em um solo de sax por exemplo.


COMPRESSÃO

A compressão é utilizada para estreitar a diferença entre o os sinais mais altos e mais baixos no material gravado.
Compressão não necessita ser utilizada a menos que haja um problema perceptível.
Por exemplo, se o ouvinte precisa subir o volume durante as partes mais baixas da canção, a compressão pode ser necessária. Podemos utilizar compressores analógicos ou fazê-la digitalmente.
 


EDIÇÃO

Muitos versos antes do refrão? O primeiro refrão está fraco comparado com os demais? Não há problema. Muitas vezes é possível copiar e/ou mover partes de uma canção. Fades in/out (entrada e saída) das canções podem ser realizadas com extrema precisão. A seqüência das canções no CD pode ser completamente diferente da ordem em que foram gravadas.


ISRC

Ao gerarmos o CD matriz, podemos incluir o ISRC, um código único que identifica sua música e é usado pelas emissoras de rádio. Dessa forma você poderá receber do ECAD pelos direitos de execução de sua música.



Masterização

A propalada “masterização” existe desde que se começou a gravar discos há cerca de um século. O termo se popularizou com a introdução do CD e dos recursos digitais de edição do áudio. Masterizar quer dizer “passar para a master”, a fita matriz que contém o material finalizado. Então, se mixarmos um trabalho e gravar o resultado numa fita cassete, estamos masterizando em cassete. No mercado fonográfico, já se usaram fitas de rolo, fitas PCM e DAT. Hoje, já podemos masterizar direto para o CD.


A própria edição do material mixado, antes de ser transferido para um suporte físico, não é privilégio da era do CD. Nos tempos analógicos, já se editava o material mixado numa fita, transferindo o resultado para outra fita. Só que usar um mouse é muito mais fácil que remendar fitas com gilete e cola. Daí, desde que se começou a gravar em computador, as técnicas de pré-masterização (edição do material estéreo) se difundiram em larga escala, alcançando boa parte dos home studios.


Não estamos, aqui, preocupados com remasters, maneira encontrada pela indústria para vender um CD duas ou três vezes para os mesmos consumidores. O que está em questão, além das técnicas de acondicionamento das gravações num suporte físico, no caso o CD, são os procedimentos para recuperarmos a qualidade do material. Redução de ruídos, equilíbrio dos timbres, ganho de volume e outros recursos que encontramos nos mesmos programas que temos usado aqui nesta série de artigos. Assim, quem tem um estúdio de gravação no seu PC, tem, automaticamente, um estúdio de masterização, desde que o computador contenha um gravador CD-R ou CD-RW. E nele podemos tanto melhorar o resultado de nossas próprias gravações e mixagens quanto corrigir certos erros nas mixagens vindas de outros estúdios.

Preliminares.
No artigo anterior, finalizamos nossa mixagem salvando a música no HD como um arquivo .wav. Vamos agora abrir este arquivo no programa Sound Forge. Se a música vem mixada de outro estúdio, temos que transformá-la primeiro num arquivo .wav. Caso a gravação esteja em DAT, vamos copiá-la para o Sound Forge. Ligue as saídas estéreo analógicas ou digitais do DAT à mesa ou diretamente à placa de som. Ponha o Sound Forge para gravar acionando o botão com a bolinha vermelha (Record). Na janela que se abre, monitore o nível, regulando-o na mesa ou no programa que controla a sua placa. O nível dos picos máximos deve chegar perto da marca 0 dB (zero decibel), sem nunca ultrapassá-lo (clip), sob pena de distorção no som. Se a música vem de outro estúdio em CD, transforme-a num arquivo .wav por meio de um programa que faça a extração do áudio do CD para .wav. Este programa pode ser o Easy CD Creator, da Adaptec, que vem com a maioria dos gravadores de CD.
Pré-masterização.
A fase mais crítica do processo é a da edição do material. Agora que nossa música está num arquivo .wav, vamos abri-la no Sound Forge. O primeiro passo é verificar o nível do ruído e, se preciso, reduzí-lo. Na parte mais baixa da tela do Sound Forge temos lentes verticais e horizontais para a visualização do gráfico com as ondas sonoras. Focalizando o início do arquivo, antes da música começar, observamos o nível de ruído. Se for insignificante, deixamos como está. Caso contrário, vamos voltar a usar o plug in Noise Reduction, que já tínhamos detalhado no artigo IV desta série e utilizado no artigo XIV, sobre a edição das pistas gravadas. Aqui, muito cuidado para que a redução do ruído não altere os timbres de vozes e instrumentos ou desequilibre a mixagem.


Agora, ouvimos com atenção para verificar se os timbres estão bem equilibrados. Se for absolutamente necessário corrigi-los, vamos apelar para um equalizador ou um enhancer. Bons modelos de plug ins são o equalizador paragráfico de 10 bandas Waves Q10 e o enhancer DSP/FX Aural Activator. O enhancer (“melhorador”) realça harmônicos abafados nas diversas etapas, como a captação e a mixagem. Mas, cuidado: equalizador não inventa freqüências que não existem, apenas reforça ou atenua o que está gravado. Quanto mais alteramos o equilíbrio entre as diversas freqüências graves, médias e agudas, mais riscos corremos de deformar o trabalho. Por isso, uma boa mixagem é fundamental. Faça o dever de casa.


Outro ponto importante é a compressão dinâmica. Como já vimos em outros artigos, a compressão traz o som “mais pra frente”. Isto é, comprimimos os picos de volume para podermos aumentar o volume médio. O plug in Waves L1 Ultramaximizer é um limitador de picos ideal para a situação. Reduzindo os picos excessivos no material mixado (por exemplo, do bumbo e da caixa da bateria), o limitador aumenta automaticamente os demais sons, chegando a alterar os níveis relativos dos instrumentos e vozes. Mais uma vez, cuidado: a ânsia de aumentar os volumes não deve permitir que tornemos a música “chapada”, sem profundidade. Esta compressão final, de poucos decibéis, depende do gênero e estilo musicais. Na música erudita e instrumental em geral, usamos muito menos compressão do que, por exemplo, num hip hop ou em música techno.


O próximo passo é cortar o início e o fim do arquivo. O corte é fundamental para que cada música, no CD, comece no início e termine no fim de sua faixa. Parece redundante, mas nada é mais desagradável que um CD demo com intermináveis segundos de espera entre as canções. Cortar é simples: selecione, arrastando o mouse, os trechos de silêncio no início e no fim do arquivo, e aperte a tecla <Delete>. O problema são os estalinhos que às vezes se ouvem nesses pontos de corte. Resolvemos o problema selecionando um trecho bem curto (de alguns milissegundos) logo antes da música começar e clicando em <Process>, <Fade> e <In>; e selecionando um trechinho bem ao fim da música e clicando em <Process>, <Fade> e <Out>. Nas músicas que terminam com um longo fade out de vários compassos, é preferível “desenhar” o decréscimo de volume em gráficos de edição do que ficar arrastando manualmente o controle de volume master de uma mesa de som.


Salvamos o arquivo .wav e passamos às próximas etapas.

Masterizando o CD.
No Sound Forge, pelo menu Tools, abrimos o plug in CD-Architect, que é um excelente programa de montagem de CDs de áudio. Um verdadeiro paraíso para masterizadores e discotecários, já que seqüenciar canções é sua função. Uma vez detectado o seu gravador CD-R, ele está pronto para nos ajudar a materializar o sonho: fazer o CD.




O CD-Architect

Embaixo à direita, um simulador de CD player permite escutarmos as músicas e navegar por elas, como é feito nos aparelhos de CD.


Adicione as músicas selecionando seus arquivos .wav na ordem preferida. Clique em <File>, <Audio pool>, <Add...> e busque nos diretórios o seu arquivo. Numa faixa da tela, chamada Audio Pool, o CD-Architect vai pondo os gráficos com áudio estéreo, um após o outro. Ele também separa as músicas automaticamente por dois segundos, o que pode ser modificado entre cada duas músicas. Podemos arrastar cada música mais para perto ou longe da anterior, usando o mouse. Uma linha sobre cada canção é o envelope de volume: permite alterar o volume de cada uma, inclusive desenhando fades e alterações. Se esses arquivos estão normalizados, não aumente nenhum volume acima de zero dB, apenas abaixe, se precisar, tendo como referência a música de volume mais alto.


Após a organização das músicas no CD vamos, finalmente, “masterizar”. Coloque um CD virgem no gravador de CDs. No CD-Architect, clique no botão com a bolinha vermelha (Record), escolha o número de cópias, a opção de só gravar o CD (teste só na primeira vez) e a velocidade, que pode ser a máxima do seu gravador. Após alguns minutos, o gravador se abrirá e o programa deverá informar que o CD foi gravado com sucesso. Pegue-o e ouça-o. Ame-o ou deixe-o, mas grave outros.




segunda-feira, 27 de junho de 2011

Formação Profissional - Música

É de música que você gosta? Tem talento, faz composições, produz suas próprias melodias, beats, participa de shows, freestyles, grava seus cds e distribui por aí, tem o sonho de ser conhecido e reconhecido dentro do mundo musical? Parabéns. Você está a um passo de conseguir isso.
Hoje em dia existem inúmeras maneiras de um amador conseguir aprender e desenvolver suas habilidades na música: blogs como este que procuram ensinar conceitos de teoria musical e mais do que isso, o feeling dos produtores musicais, livros e diversos impressos, consultores mas, principalmente, se você quer ser um músico profissional de verdade, conseguir contratos com grandes produtoras, gravadoras ou mesmo trabalhar para si próprio fazendo cds, mixtapes e eps de qualidade você precisa mais do que isso. É, estou falando em cursos profissionalizantes.
Não é segredo para mais ninguém que hoje o mercado de trabalho anda um tanto competitivo e as vezes isso acontece não apenas por termos profissionais demais na área mas principalmente por não termos profissionais capacitados na área. Na música não é diferente.
Seguem abaixo alguns lugares que eu indico para quem quer ingressar no mundo musical.

Academia de Áudio Oferece cursos excelentes à preços tentadores.

Song Áudio  Venha conhecer o trabalho dessa equipe de engenharia de som!

CDA Áudio Curso de áudio e masterização

Reference Studio Masterização e Autoração para DVD e Áudio

Anhembi Morumbi - Produção Musical Curso superior de produção musical na Universidade Anhembi Morumbi

Anhembi Morumbi - Produção Fonográfica / Música Eletrônica Curso superior de produção fonográfica com habilitação em música eletrônica na Universidade Anhembi Morumbi

OMID  Academia de áudio

Escola São Paulo  Oferece cursos livres de trilha sonora e produção musical.


É isso, espero que procurem se informar em algum destes ou mesmo em outras instituições.

=]


sábado, 25 de junho de 2011

Mixagem - Equalização

Como tirar o melhor timbre através da equalização

Como dizia Michelangelo: "A escultura já estava lá dentro do bloco de mármore. Só o que fiz foi retirar o excesso que havia em volta". Neste ponto da nossa viagem pelo mundo das mixagens começaremos a trabalhar com o timbre dos instrumentos, através dos equalizadores.

Esses equipamentos nos possibilitam alterar a resposta em freqüência dos diversos canais, manipulando sua sonoridade. Como já fiz em outras oportunidades, vou admitir que nosso leitor saiba como usar um equalizador pelo menos de modo básico. Se neste ponto, frases como "aumentar o valor do Q" soarem como javanês, quer dizer que ainda é um pouco cedo para você começar a mixar.

Nosso campo de trabalho em termos de equalização será o espectro de freqüências que o ouvido humano percebe (20 Hz a 20 kHz). Para melhor nos entendermos, vamos dividir esse espectro em regiões de atuação dos equalizadores (divisão baseada no trabalho do engenheiro Leo de Gars Kulka, ainda na década de 1970).



Muitos autores preferem definir o intervalo entre 4000 e 6000 Hz como uma região específica, tipicamente chamada presença. Apesar de concordar totalmente com esse destaque, decidi não incluí-lo na tabela porque é raríssimo encontrar a referência a ela em equalizadores típicos, exceto talvez nos amps de guitarra e baixo. Voltaremos a discutir a importância deste intervalo mais adiante.

Sub-graves: lembrança do útero?
A região de sub-graves até os anos 90 era mais um inconveniente do que um benefício para os mixadores. É a região em que facilmente o conjunto prato + braço de um toca-discos entra em ressonância se estimulado, e também é um tanto difícil para os sulcos de um LP de vinil. Os tempos modernos trouxeram, de um lado, as boom boxes, com seus alto-falantes e amplificadores capazes de responder a essa região com alguma eficiência - e, de outro, o CD, chegando como mídia muito mais adequada para esse tipo de resposta.

Sub-graves são cativantes. Muitos argumentam que nos remetem ao útero materno, onde todos os agudos do mundo externo são filtrados e onde ouvimos constantemente o coração da mãe batendo. São freqüências muito mais sentidas do que ouvidas. A própria indústria cinematográfica se aproveitou dessa característica e criou um canal de áudio para as mixagens de cinema (surround) especialmente dedicado a gerar efeitos que se sentem mais do que se ouvem - o chamado canal LFE (low frequency effects), usado para tornar mais emocionantes as explosões, os motores de naves espaciais e navios, os terremotos, etc. Os DVDs de música herdaram esse canal, embora pouquíssimos instrumentos o acabem usando (o LFE no sistema Dolby doméstico é somado aos graves dos outros canais, gerando o chamado canal de subwoofer).

Normalmente, em uma mixagem os subgraves são congestionados por ruídos de baixa freqüência vindos de diversos canais. Por exemplo, ruídos estruturais, do trânsito, do ar-condicionado, sendo tipicamente uma região a ser cortada, a não ser em casos específicos. É uma ótima região para ser cortada nos equalizadores, e de fato você vai encontrar tipicamente um filtro com freqüência de corte nessa região ou numa próxima na maioria dos equalizadores.

Instrumentos e sons que podem ser importantes nessa região são os sons graves de teclados eletrônicos, órgãos de tubos e, eventualmente, bumbos e contrabaixos.

Graves

É interessante notar como os graves vieram ganhando importância ao longo dos anos. No início dos tempos do áudio era muito difícil tanto registrá-los quanto reproduzi-los. Ao longo dos anos (principalmente a partir da década de 1970), gradualmente foi ficando cada vez mais possível e cômodo levar os graves mais profundos ao consumidor final. Até bem pouco tempo, as caixas de referência de todo estúdio que se prezasse eram as Yamaha NS-10 - que não falam nos graves, mas representavam uma média do que se podia esperar que o consumidor de música tivesse em casa. Hoje em dia simplesmente não dá pra trabalhar só com elas, e monitores que respondam bem aos graves são absolutamente necessários.

Como os sons graves são muito legais, o sucesso do grave gerou o gravão, exagerado e distorcido mas muito amado. A possibilidade técnica de gravação e reprodução dos graves trouxe como conseqüência desagradável a pressão popular por mais e mais graves, o que gerou aberrações como os famosos botões de SuperBass, ExtraBass, ExtremeBass, SuperExtraExtremeBass dos walkmans.

Exageros à parte, nada como uma mix com os graves bem presentes e bem equilibrados. Essa região do espectro contém uma boa parcela de energia nas mixes e pode conduzir a excessos de nível se não tomarmos precauções. Outro fator importante a considerar: é na região dos graves que vamos encontrar os maiores problemas de acústica nas salas de mixagem. É essa sempre a região da dúvida em uma sala à qual não estejamos acostumados.

Assim, desde já desconfie da monitoração se você estiver sentindo necessidade de aumentar os graves em muitos canais, ou ao contrário, se sempre parece que o canal tem graves demais. Nessas horas, um bom analisador de espectro pode ajudar. Leve em conta também o fato de que em volumes baixos ouvimos mal os graves. Então evite mixar com volumes baixos demais ou altos demais para não errar a mão nos graves.

Instrumentos importantes nessa região são obviamente o dueto bumbo + baixo. Em música pop, eles representam a fundação que vai sustentar toda a nossa construção.

Médias Baixas

A maior parte da energia dos instrumentos comumente usados para a base das músicas se encontra nesta região, provocando facilmente um congestionamento sonoro bem desagradável. É, portanto, uma boa região para se atenuar nos equalizadores. Seu excesso acaba sendo percebido pelo ouvido como falta de médias altas e agudos, o que dá ao ouvinte a impressão de que o som está velado. Quando um instrumento soa sem peso, é esta a região a se acentuar. Por exemplo, a caixa da bateria fica bem encorpada se dermos um pouco de ganho em 250Hz.

Um bom motivo para se esvaziar um pouco esta região nos equalizadores: é lá que tipicamente se encontram as fundamentais dos instrumentos e principalmente da voz. Descongestionar as médias baixas abre caminho para que a parte mais grave de uma voz fique inteligível.

A região superior das médias baixas (entre 700 Hz e 1400 Hz) tem o som típico de rádio de carro de polícia, ou de se falar com as mãos em concha à frente da boca. Se um instrumento está soando assim, experimente atenuar essa região. Entre 1000 e 2000 Hz o som vai se tornando progressivamente mais metálico e mais irritante se colocado com muito volume.


Médias Altas

Trata-se de uma região extremamente importante em uma mixagem. Primeiro porque o pico de sensibilidade do ouvido está nesta região (entre 2 e 3 kHz mais ou menos). E também porque na sua metade superior (entre 4 e 6 kHz) se encontra a região de presença, onde os detalhes sonoros são mais bem percebidos.

Muito cuidado ao se dar ganho na região de 2 a 4 kHz de um instrumento, pois ele facilmente pode se tornar desagradável, por atuar no pico de sensibilidade humana. Não é porém uma região em que se costume atenuar muito os instrumentos, a não ser que estejam soando desagradáveis.

Os harmônicos superiores da voz se encontram na região de presença. É onde as consoantes se tornam nítidas (o que diferencia um éfi de um éssi são justamente os harmônicos desta região) e é uma ótima região para tornar uma voz ou instrumento mais definido, aparecendo mais na mixagem. Em inglês se usa muito a expressão to cut through the mix (algo como cortar através da mix) para definir o ato de tornar um instrumento mais aparente no meio dos outros. Dar ganho entre 2 e 4 kHz em um instrumento é uma boa opção para fazê-lo.

Agudos

Essa é outra região que pode ser afetada pelo jeito como estamos monitorando a mixagem. Agora não tanto pela acústica da sala, mas pelas características das caixas. Mais uma vez desconfie se você estiver puxando ou tirando agudos em todos os canais. Outro fator que pode levar a agudos em excesso é a fadiga auditiva ou a monitoração em volumes inadequados (altos demais ou baixos demais). Via de regra, escolha um volume médio para trabalhar, testando freqüentemente sua mix em volumes baixos e altos também.

Os sons que povoam essa região são normalmente de curta duração, tais como pratos, os éssis da voz e harmônicos altos de outros instrumentos. O excesso de informação nestas freqüências costuma levar ao cansaço auditivo, podendo deixar a audição da música desconfortável.

Muitos costumam chamar a região superior dos agudos (acima de 15 kHz) de ar. Nos tempos da fita analógica era tipicamente um lugar em que se tendia a acentuar nas masterizações, por causa das perdas na fita devido ao desgaste ao longo do processo de gravação e mixagem.

No caso do CD, esse extremo superior podia ser ainda problemático por ser o ponto onde o limite da freqüência de amostragem tende a causar efeitos indesejados, principalmente em conversores de baixa qualidade. Hoje em dia o estado da tecnologia evoluiu tanto que não há muita necessidade de preocupação com perdas e desvios de fase nesta região.

Mas por que afinal equalizar?

Alteramos a resposta em freqüência de um dado instrumento por três motivos básicos:

1. Para corrigir a sonoridade
2. Para favorecer regiões de seu timbre por questões estéticas ou de estilo
3. Para permitir que ele se destaque entre os outros instrumentos

Lembram do tal Efeito de Mascaramento? Pois é, ele continua pegando no nosso pé neste ponto. É basicamente por causa dele que chegamos a nosso primeiro ponto de destaque:

A soma do som mais bonito de cada canal normalmente não resulta em um bom som quando adicionado aos outros canais

O equívoco mais comum que encontro em mixadores iniciantes é esse. A primeira tentação é solar (ouvir sozinho) um canal ou pista, equalizá-lo para deixar o som o mais lindo possível, depois solar o seguinte repetindo o processo e assim por diante. O resultado em 99,9% dos casos é catastrófico! O problema básico é o tal do mascaramento, aliado ao fato de a maioria das freqüências fundamentais dos instrumentos se encontrar mais ou menos na mesma região.

Alguém outro dia comparou uma mixagem a uma pintura a óleo. Se pintamos uma árvore e depois uma casa na frente da árvore, a casa tampa a árvore e só conseguimos ver desta o que não foi obstruído pela imagem da casa. Transportando para a música, quando um instrumento tem uma região muito proeminente, ela tenderá a obscurecer a região similar dos outros instrumentos, valendo o que está mais alto.

É por isso que tomar o som mais bonito de cada instrumento não dá um bom resultado, porque muito provavelmente as freqüências que embelezam o som de cada um deles serão as mesmas e haverá congestionamento em certas regiões.

Podemos também imaginar o espectro de freqüências também como dividido em dezenas de pequenas gavetas. Cada instrumento pode ocupar diversas gavetas, mas cada gaveta só poderá ser ocupada por um instrumento. Por exemplo, no bumbo da bateria são importantes a região grave (a ressonância do tambor -  60 a 120 Hz) e a região de médias altas (em que estará a macetada na pele - ou kick - 3 a 4 kHz). As regiões intermediárias não são tão importantes, sendo muito comum a gente encontrar um ponto entre 400 e 600 Hz onde se pode atenuar fortemente, melhorando bastante o resultado. Com isso, ocupamos as gavetas importantes e esvaziamos gavetas que não nos interessam.

É claro que o processo de mixagem não é matematicamente previsível, e não adianta ficarmos tentando fazer um gráfico de qual instrumento vai aonde. É melhor apenas lembrarmos dessas analogias e, entendendo o processo, usarmos nossa musicalidade e bom gosto para construir nossa mix.

Uma das frases que mais me causam dores de cabeça em uma mixagem é: - Sola o meu violão!

Isso porque, em nome de fazer todo mundo aparecer em uma mixagem com banda, temos que dar uma emagrecida no som do violão, deixando praticamente só a sua região de médias altas. Ouvido solado, o som é ruim, magrinho demais, porém dentro da mixagem ele se comporta muito bem.

Tem também o tenebroso Coeficiente QS, coeficiente de quantas vezes alguém falou "Que Sonzão!" quando ouviu um determinado instrumento durante o processo de gravação. Instrumentos com alto coeficiente QS costumam dar problemas nas mixes, porque todos vão continuar querendo que ele tenha o seu sonzão, mas provavelmente não haverá lugar na mix para isso.

Em resumo, para equalizar um instrumento em uma mix, minha sugestão é:
1. Atenue regiões de freqüência que o instrumento não usa, tipicamente através dos filtros de baixas e altas
2. Ache um ponto nas freqüências em que o instrumento soe bem feio e o atenue; este lugar estará comumente localizado nas médias baixas, mas nem sempre. Use um Q médio nesses casos; não se assuste se forem necessárias atenuações bem fortes
3. Encontre agora um ponto em que, através do uso de um Q baixo e com um leve ganho, haja uma melhoria no som do instrumento; neste caso os ganhos costumam ser não muito altos
4. Compare com o equalizador desligado e verifique se o som melhorou mesmo ou não
5. Esteja preparado para, ao longo da mix, ter que alterar essa equalização para evitar a briga com outros canais


Claro que o processo acima é um caso genérico, não sendo uma receita de bolo, só um ponto de partida.

Alguns Conselhos Práticos* Em um equalizador, a gente tem sempre duas opções - atenuar o que é ruim ou acentuar o que é bom. Por exemplo, imagine que existe um excesso de médias baixas. Você pode atenuar as médias baixas e aumentar o volume geral - ou acentuar graves, médias altas e agudos e abaixar o volume geral. Gosto mais do primeiro processo porque leva a um melhor controle do nível geral e tende a introduzir menos ruídos no sinal.

* Se você estiver dando ganho demais em uma determinada região, está acontecendo algum problema: ou a freqüência a acentuar não é esta, ou o instrumento não fala nesta região, ou alguém cortou exageradamente essa região na gravação. Experimente mudar a freqüência ou inverter o processo, atenuando as outras regiões e aumentando o nível geral.

* Se você estiver acentuando ou atenuando a mesma freqüência em vários instrumentos, desconfie da monitoração ou da acústica da sala de mixagem ou de onde foi gravado; ouça em outros lugares ou em um local familiar, ou mesmo de fone.

* Equalizador não é substituto para um instrumento mal gravado, um arranjo mal-feito ou coisas do gênero, mas como já estamos na etapa de mixagem, muitas vezes é a única ferramenta de que dispomos para corrigir estes problemas.

Tabela de regiões

Veremos agora uma tabela que resume algumas características de cada oitava do espectro de freqüências e os termos usados no estúdio para definir sua falta ou excesso em mixagens. Isso pode ajudar quando alguém diz que sua voz soa fanha.

TABELA 1


Por onde eu começo?

Esta é  a pergunta que todo mundo se faz quando tem um canal a equalizar. A experiência vai ajudá-lo a se orientar, mas como ponto de partida, eu e Guilherme Reis demos uma ampliada na tabela do Gars Kulka, acrescentando também instrumentos brasileiros. Lembre que os valores e comentários abaixo tentam ser apenas pontos de referência e muitas vezes você vai querer fazer justamente o oposto do que sugerimos. Sinta-se livre para experimentar.

TABELA 2


TABELA 3


TABELA 4





Mixagem - por Fábio Henriques

Se você tem interesse em trabalhar com produção musical, engenharia de som ou masterização tem que conhecer os segredos da Mixagem.
São poucos os lugares que oferecem um serviço prático e direto quando o assunto é teoria musical e para os amigos autodidatas de plantão, tenho uma dica interessante.
Um amigo de profissão, o engenheiro de som Fábio Henriques, lançou por volta de 2007 se não me engano um livro que foca exatamente naquilo que nos interessa: os segredos de uma boa mixagem.
Afinal, qual é o segredo de uma boa mixagem? Ou melhor: uma boa mixagem tem segredo? Como o próprio Fábio Henriques, diz, de todos os processos envolvidos na gravação musical, a mixagem é provavelmente o mais artístico. "Não existe nenhum limite para o que se pode fazer numa mix." O importante é conhecer as ferramentas para chegar ao resultado desejado - que pode ser, basicamente, qualquer um!
Esse é o papel deste Guia de Mixagem, em que o autor aborda cada etapa - com princípios, tendências, dificuldades e truques - do processo de mixar uma canção, além de dicas de equipamento e técnicas. O livro é o primeiro produzido no Brasil sobre o assunto e traz uma linguagem simples com informações que servem tanto a profissionais quanto a músicos e técnicos que estão montando seu home studio. Ou seja, se uma boa mixagem tiver segredo, ele está nestas páginas.
Fábio Henriques tem 45 anos e trabalha como engenheiro de som há 14. No final dos anos 90, criou, na Escola Rio Música, o curso de Técnicas de Gravação, um dos primeiros da área no país. Depois de realizar projetos em estúdios como Discover, AR e Nas Nuvens, hoje é o responsável pelas gravações da gravadora católica Canção Nova. Este é seu primeiro livro.

Vale a pena conhecer!

domingo, 19 de junho de 2011

A Era MP3 e a Qualidade do Som

Você é viciado em música? É? Então deixe-me adivinhar..
Você é um daqueles jovens que acompanham os lançamentos de vídeo clipes no youtube e que baixam centenas de arquivos .mp3 para poder escutar em seus laptops, desktops ou celulares polifônicos? Se você faz isso, então tenho uma péssima notícia para lhe dar..
Ao optar por este tipo de arquivos criados para abastecer o mundo virtual você está adquirindo um tipo de música com qualidade inferior. Isso acontece porque a potência dos auto-falantes das caixas de som do seu computador é baixa e, para que você consiga escutar a música que toca ela precisa ter o volume aumentado.
Acredito que tu já tenhas passado pela sensação de aumentar o volume da sua caixa de som ao máximo e ainda assim o volume da música parecer baixo. Ao contrário do que se pensa, quando isso acontece é sinal de que a música que você escuta ainda não passou por altos níveis de compressão, ou seja, a qualidade do som é inversamente proporcional ao nível de compressão que, por sua vez, é diretamente proporcional à altura do som.
Isso não significa que obrigatoriamente para uma música ter alta qualidade seu som deva ser baixo. O que torna a sensação do som não ser tão alto quanto o original é a potência e a capacidade da caixa de som pela qual você está escutando o seu som. Por isso você pode sentir aquela diferença quando escuta uma canção de sua banda de rock favorita pelo computador, pelo home theater ou ainda num show ao vivo. A diferença entre as sonoridades é literalmente gritante.
O excesso de compressão deixa a música com um aspecto confuso e caótico. Ao manter a intensidade e a altura constante o som perde os altos e baixos emocionais que normalmente estão presentes em qualquer música. O refrão perde a força pois ele deixa de ser o clímax da música e não ganha mais tanto a atenção do ouvinte como na versão com menor compressão.
O cérebro humano é desenvolvido de maneira a prestar maior atenção à barulhos altos, assim, sons comprimidos pareciam inicialmente interessantes. Porém, esse método perde o seu efeito caso a compressão se mantenha constante. O que desperta o interesse na música e causa as sensações de atenção aos sons mais altos são as variações no timbre, no ritmo, no tom e na altura. Se você mantém algo constante o desinteresse começa a aparecer, o cérebro vai começando a apresentar sinais de cansaço, o som se torna monótono. Alguns ouvintes não percebem isso conscientemente, mas essa sensação pode ser facilmente representada pela necessidade de pular rapidamente para a próxima música. Já esteve com alguém ou você mesmo já notou em si uma certa impaciência em escutar um álbum inteiro de algum artista ou uma série sucessiva de canções em uma rádio e ficou mudando as faixas para as seguintes?
Ao optar por uma escala dinâmica ampla cria-se uma sensação de espaço e o ouvinte consegue perceber a audição dos instrumentos individualmente.
Para criar um arquivo em MP3, o computador copia a música do CD e a comprime em um arquivo menor, excluindo todas as informações musicais que o ouvido humano tem menor probabilidade de perceber. Muita informação eliminada está nos extremos do espectro, por isso o MP3 parece não ter nuances. Os sons nesse formato não reproduzem bem a reverberação e a falta de detalhes torna o som quebrado, sem sons graves suficientes, fazendo o som perder a força inicial.
Por esse motivo, alguns produtores mudaram sua maneira de produzir música. A preocupação vai além da questão da qualidade da música desenvolvida e começa a abranger também a questão de como a música vai ser ouvida e, indiscutivelmente, estamos vivendo na era dos sons MP3. Assim, os produtores começaram a alterar a maneira de produzir as suas mixagens, compensando as limitações desses formatos virtuais.
Como a tecnologia alterou a forma como os sons são gravados ela também encorajou uma perfeição artificial na própria música. Fitas analógicas foram substituídas na maioria dos estúdios pelo Pro Tools. Edições que antes exigiam emendas nas fitas agora são facilmente realizadas com o clique de um mouse. Programas como o Ato Tune podem melhorar a afinação de qualquer cantor ao passo que o Beat Detective faz o mesmo por qualquer baterista, fazendo com que qualquer pessoa "normal" pareça um profissional da mais alta classe.
O problema maior dessa nova geração de sons altamente comprimidos é o fim da era dos audiófilos. As tentativas de lançar no mercado cds de alta qualidade como DVD-Audio e o SACD foram fracassos comerciais. Ao que parece os ouvintes de hoje em dia estão acostumados à música comprimida e 'metálica'. Infelizmente, a batalha da qualidade vem sendo perdida diariamente.