domingo, 26 de junho de 2011

MPB - Chico Buarque

Acordei hoje em um pleno domingo modorrento após receber uma notícia não muito agradável ontem a noite. Parece que o céu resolveu combinar para transparecer meu estado de espírito cinzento, rs bem propício eu diria.
Não sei exatamente o porquê, mas hoje me veio a lembrança de Chico Buarque e lembrei que nunca havia comentado sobre ele aqui. Aliás, acredito que tenha feito pouquíssimas ou mesmo nenhuma referência sobre a música popular brasileira. Vamos então reverter esse quadro.
Não vou me prender à biografia do artista, isto vocês podem conhecer buscando em qualquer site de busca e de referências de MPB, o diferencial do meu trabalho é exatamente o de identificar os aspectos musicais do trabalho e personalidade do artista e resumi-los de maneira íntegra de forma que você possa aprender alguma coisa com tais aspectos.
Francisco Buarque de Hollanda é irmão das cantoras Miúcha e Cristina. Amigo de Elis Regina e centenas de outros artistas fez parte do movimento contra a ditadura e acabou exilado na Europa durante alguns anos.
Uma das músicas marcantes dessa época foi Cálice, proibida pela ditadura brasileira da época.
Chico Buarque se destaca na cena musical principalmente como compositor. Suas obras são dotadas de uma particularidade íntima e de sentimento. Ah sim, muito sentimento.
Gosto do lirismo das composições da era de ouro da mpb, coisa que já não se tem atualmente. Acho que de certa forma toda a repressão da ditadura contribuiu para dar esse ar bucólico às composições de mpb da época, tornando-as singulares e únicas. Cantores como Jorge Vercilo, Djavan e Lenine são também nomes consagrados da música popular brasileira, entretanto, analisando criteriosamente a natureza das composições é notável que os artistas de ouro da mpb possuíam um tempero que dava um sabor particular às suas obras. Algo que ninguém foi capaz de reproduzir.



Chico Buarque - Construção

Construção foi uma das músicas compostas na época da ditadura. Uma possível interpretação da canção foi feita e se encontra no domínio de um colega. Para ver, Clique Aqui!




Chico Buarque - Cotidiano

Essa é uma das minhas músicas favoritas de Chico Buarque, não apenas pelo enredo e a dramaturgia que a canção denota mas pela simplicidade não somente do arranjo mas principalmente da melodia ardilosamente arquitetada.
Qual casal não teve o desprazer (ou seria prazer) de acordar numa bela manhã e perceber que seu relacionamento estaria na rotina? Essa música mostra o lado efêmero da rotina de um casal, sob o ponto de vista masculino. Bem interessante.

Para finalizar, uma das músicas compostas por Chico Buarque no seu famoso "eu feminino", onde ele compõe sob a perspectiva do olhar feminino. O Meu Amor foi um de ses grandes sucessos interpretados por Gal Gosta, Maria Bhetânia e até mesmo por sua ex, a atriz Marieta Severo.


Chico Buarque - O Meu Amor



sábado, 25 de junho de 2011

Mixagem - Equalização

Como tirar o melhor timbre através da equalização

Como dizia Michelangelo: "A escultura já estava lá dentro do bloco de mármore. Só o que fiz foi retirar o excesso que havia em volta". Neste ponto da nossa viagem pelo mundo das mixagens começaremos a trabalhar com o timbre dos instrumentos, através dos equalizadores.

Esses equipamentos nos possibilitam alterar a resposta em freqüência dos diversos canais, manipulando sua sonoridade. Como já fiz em outras oportunidades, vou admitir que nosso leitor saiba como usar um equalizador pelo menos de modo básico. Se neste ponto, frases como "aumentar o valor do Q" soarem como javanês, quer dizer que ainda é um pouco cedo para você começar a mixar.

Nosso campo de trabalho em termos de equalização será o espectro de freqüências que o ouvido humano percebe (20 Hz a 20 kHz). Para melhor nos entendermos, vamos dividir esse espectro em regiões de atuação dos equalizadores (divisão baseada no trabalho do engenheiro Leo de Gars Kulka, ainda na década de 1970).



Muitos autores preferem definir o intervalo entre 4000 e 6000 Hz como uma região específica, tipicamente chamada presença. Apesar de concordar totalmente com esse destaque, decidi não incluí-lo na tabela porque é raríssimo encontrar a referência a ela em equalizadores típicos, exceto talvez nos amps de guitarra e baixo. Voltaremos a discutir a importância deste intervalo mais adiante.

Sub-graves: lembrança do útero?
A região de sub-graves até os anos 90 era mais um inconveniente do que um benefício para os mixadores. É a região em que facilmente o conjunto prato + braço de um toca-discos entra em ressonância se estimulado, e também é um tanto difícil para os sulcos de um LP de vinil. Os tempos modernos trouxeram, de um lado, as boom boxes, com seus alto-falantes e amplificadores capazes de responder a essa região com alguma eficiência - e, de outro, o CD, chegando como mídia muito mais adequada para esse tipo de resposta.

Sub-graves são cativantes. Muitos argumentam que nos remetem ao útero materno, onde todos os agudos do mundo externo são filtrados e onde ouvimos constantemente o coração da mãe batendo. São freqüências muito mais sentidas do que ouvidas. A própria indústria cinematográfica se aproveitou dessa característica e criou um canal de áudio para as mixagens de cinema (surround) especialmente dedicado a gerar efeitos que se sentem mais do que se ouvem - o chamado canal LFE (low frequency effects), usado para tornar mais emocionantes as explosões, os motores de naves espaciais e navios, os terremotos, etc. Os DVDs de música herdaram esse canal, embora pouquíssimos instrumentos o acabem usando (o LFE no sistema Dolby doméstico é somado aos graves dos outros canais, gerando o chamado canal de subwoofer).

Normalmente, em uma mixagem os subgraves são congestionados por ruídos de baixa freqüência vindos de diversos canais. Por exemplo, ruídos estruturais, do trânsito, do ar-condicionado, sendo tipicamente uma região a ser cortada, a não ser em casos específicos. É uma ótima região para ser cortada nos equalizadores, e de fato você vai encontrar tipicamente um filtro com freqüência de corte nessa região ou numa próxima na maioria dos equalizadores.

Instrumentos e sons que podem ser importantes nessa região são os sons graves de teclados eletrônicos, órgãos de tubos e, eventualmente, bumbos e contrabaixos.

Graves

É interessante notar como os graves vieram ganhando importância ao longo dos anos. No início dos tempos do áudio era muito difícil tanto registrá-los quanto reproduzi-los. Ao longo dos anos (principalmente a partir da década de 1970), gradualmente foi ficando cada vez mais possível e cômodo levar os graves mais profundos ao consumidor final. Até bem pouco tempo, as caixas de referência de todo estúdio que se prezasse eram as Yamaha NS-10 - que não falam nos graves, mas representavam uma média do que se podia esperar que o consumidor de música tivesse em casa. Hoje em dia simplesmente não dá pra trabalhar só com elas, e monitores que respondam bem aos graves são absolutamente necessários.

Como os sons graves são muito legais, o sucesso do grave gerou o gravão, exagerado e distorcido mas muito amado. A possibilidade técnica de gravação e reprodução dos graves trouxe como conseqüência desagradável a pressão popular por mais e mais graves, o que gerou aberrações como os famosos botões de SuperBass, ExtraBass, ExtremeBass, SuperExtraExtremeBass dos walkmans.

Exageros à parte, nada como uma mix com os graves bem presentes e bem equilibrados. Essa região do espectro contém uma boa parcela de energia nas mixes e pode conduzir a excessos de nível se não tomarmos precauções. Outro fator importante a considerar: é na região dos graves que vamos encontrar os maiores problemas de acústica nas salas de mixagem. É essa sempre a região da dúvida em uma sala à qual não estejamos acostumados.

Assim, desde já desconfie da monitoração se você estiver sentindo necessidade de aumentar os graves em muitos canais, ou ao contrário, se sempre parece que o canal tem graves demais. Nessas horas, um bom analisador de espectro pode ajudar. Leve em conta também o fato de que em volumes baixos ouvimos mal os graves. Então evite mixar com volumes baixos demais ou altos demais para não errar a mão nos graves.

Instrumentos importantes nessa região são obviamente o dueto bumbo + baixo. Em música pop, eles representam a fundação que vai sustentar toda a nossa construção.

Médias Baixas

A maior parte da energia dos instrumentos comumente usados para a base das músicas se encontra nesta região, provocando facilmente um congestionamento sonoro bem desagradável. É, portanto, uma boa região para se atenuar nos equalizadores. Seu excesso acaba sendo percebido pelo ouvido como falta de médias altas e agudos, o que dá ao ouvinte a impressão de que o som está velado. Quando um instrumento soa sem peso, é esta a região a se acentuar. Por exemplo, a caixa da bateria fica bem encorpada se dermos um pouco de ganho em 250Hz.

Um bom motivo para se esvaziar um pouco esta região nos equalizadores: é lá que tipicamente se encontram as fundamentais dos instrumentos e principalmente da voz. Descongestionar as médias baixas abre caminho para que a parte mais grave de uma voz fique inteligível.

A região superior das médias baixas (entre 700 Hz e 1400 Hz) tem o som típico de rádio de carro de polícia, ou de se falar com as mãos em concha à frente da boca. Se um instrumento está soando assim, experimente atenuar essa região. Entre 1000 e 2000 Hz o som vai se tornando progressivamente mais metálico e mais irritante se colocado com muito volume.


Médias Altas

Trata-se de uma região extremamente importante em uma mixagem. Primeiro porque o pico de sensibilidade do ouvido está nesta região (entre 2 e 3 kHz mais ou menos). E também porque na sua metade superior (entre 4 e 6 kHz) se encontra a região de presença, onde os detalhes sonoros são mais bem percebidos.

Muito cuidado ao se dar ganho na região de 2 a 4 kHz de um instrumento, pois ele facilmente pode se tornar desagradável, por atuar no pico de sensibilidade humana. Não é porém uma região em que se costume atenuar muito os instrumentos, a não ser que estejam soando desagradáveis.

Os harmônicos superiores da voz se encontram na região de presença. É onde as consoantes se tornam nítidas (o que diferencia um éfi de um éssi são justamente os harmônicos desta região) e é uma ótima região para tornar uma voz ou instrumento mais definido, aparecendo mais na mixagem. Em inglês se usa muito a expressão to cut through the mix (algo como cortar através da mix) para definir o ato de tornar um instrumento mais aparente no meio dos outros. Dar ganho entre 2 e 4 kHz em um instrumento é uma boa opção para fazê-lo.

Agudos

Essa é outra região que pode ser afetada pelo jeito como estamos monitorando a mixagem. Agora não tanto pela acústica da sala, mas pelas características das caixas. Mais uma vez desconfie se você estiver puxando ou tirando agudos em todos os canais. Outro fator que pode levar a agudos em excesso é a fadiga auditiva ou a monitoração em volumes inadequados (altos demais ou baixos demais). Via de regra, escolha um volume médio para trabalhar, testando freqüentemente sua mix em volumes baixos e altos também.

Os sons que povoam essa região são normalmente de curta duração, tais como pratos, os éssis da voz e harmônicos altos de outros instrumentos. O excesso de informação nestas freqüências costuma levar ao cansaço auditivo, podendo deixar a audição da música desconfortável.

Muitos costumam chamar a região superior dos agudos (acima de 15 kHz) de ar. Nos tempos da fita analógica era tipicamente um lugar em que se tendia a acentuar nas masterizações, por causa das perdas na fita devido ao desgaste ao longo do processo de gravação e mixagem.

No caso do CD, esse extremo superior podia ser ainda problemático por ser o ponto onde o limite da freqüência de amostragem tende a causar efeitos indesejados, principalmente em conversores de baixa qualidade. Hoje em dia o estado da tecnologia evoluiu tanto que não há muita necessidade de preocupação com perdas e desvios de fase nesta região.

Mas por que afinal equalizar?

Alteramos a resposta em freqüência de um dado instrumento por três motivos básicos:

1. Para corrigir a sonoridade
2. Para favorecer regiões de seu timbre por questões estéticas ou de estilo
3. Para permitir que ele se destaque entre os outros instrumentos

Lembram do tal Efeito de Mascaramento? Pois é, ele continua pegando no nosso pé neste ponto. É basicamente por causa dele que chegamos a nosso primeiro ponto de destaque:

A soma do som mais bonito de cada canal normalmente não resulta em um bom som quando adicionado aos outros canais

O equívoco mais comum que encontro em mixadores iniciantes é esse. A primeira tentação é solar (ouvir sozinho) um canal ou pista, equalizá-lo para deixar o som o mais lindo possível, depois solar o seguinte repetindo o processo e assim por diante. O resultado em 99,9% dos casos é catastrófico! O problema básico é o tal do mascaramento, aliado ao fato de a maioria das freqüências fundamentais dos instrumentos se encontrar mais ou menos na mesma região.

Alguém outro dia comparou uma mixagem a uma pintura a óleo. Se pintamos uma árvore e depois uma casa na frente da árvore, a casa tampa a árvore e só conseguimos ver desta o que não foi obstruído pela imagem da casa. Transportando para a música, quando um instrumento tem uma região muito proeminente, ela tenderá a obscurecer a região similar dos outros instrumentos, valendo o que está mais alto.

É por isso que tomar o som mais bonito de cada instrumento não dá um bom resultado, porque muito provavelmente as freqüências que embelezam o som de cada um deles serão as mesmas e haverá congestionamento em certas regiões.

Podemos também imaginar o espectro de freqüências também como dividido em dezenas de pequenas gavetas. Cada instrumento pode ocupar diversas gavetas, mas cada gaveta só poderá ser ocupada por um instrumento. Por exemplo, no bumbo da bateria são importantes a região grave (a ressonância do tambor -  60 a 120 Hz) e a região de médias altas (em que estará a macetada na pele - ou kick - 3 a 4 kHz). As regiões intermediárias não são tão importantes, sendo muito comum a gente encontrar um ponto entre 400 e 600 Hz onde se pode atenuar fortemente, melhorando bastante o resultado. Com isso, ocupamos as gavetas importantes e esvaziamos gavetas que não nos interessam.

É claro que o processo de mixagem não é matematicamente previsível, e não adianta ficarmos tentando fazer um gráfico de qual instrumento vai aonde. É melhor apenas lembrarmos dessas analogias e, entendendo o processo, usarmos nossa musicalidade e bom gosto para construir nossa mix.

Uma das frases que mais me causam dores de cabeça em uma mixagem é: - Sola o meu violão!

Isso porque, em nome de fazer todo mundo aparecer em uma mixagem com banda, temos que dar uma emagrecida no som do violão, deixando praticamente só a sua região de médias altas. Ouvido solado, o som é ruim, magrinho demais, porém dentro da mixagem ele se comporta muito bem.

Tem também o tenebroso Coeficiente QS, coeficiente de quantas vezes alguém falou "Que Sonzão!" quando ouviu um determinado instrumento durante o processo de gravação. Instrumentos com alto coeficiente QS costumam dar problemas nas mixes, porque todos vão continuar querendo que ele tenha o seu sonzão, mas provavelmente não haverá lugar na mix para isso.

Em resumo, para equalizar um instrumento em uma mix, minha sugestão é:
1. Atenue regiões de freqüência que o instrumento não usa, tipicamente através dos filtros de baixas e altas
2. Ache um ponto nas freqüências em que o instrumento soe bem feio e o atenue; este lugar estará comumente localizado nas médias baixas, mas nem sempre. Use um Q médio nesses casos; não se assuste se forem necessárias atenuações bem fortes
3. Encontre agora um ponto em que, através do uso de um Q baixo e com um leve ganho, haja uma melhoria no som do instrumento; neste caso os ganhos costumam ser não muito altos
4. Compare com o equalizador desligado e verifique se o som melhorou mesmo ou não
5. Esteja preparado para, ao longo da mix, ter que alterar essa equalização para evitar a briga com outros canais


Claro que o processo acima é um caso genérico, não sendo uma receita de bolo, só um ponto de partida.

Alguns Conselhos Práticos* Em um equalizador, a gente tem sempre duas opções - atenuar o que é ruim ou acentuar o que é bom. Por exemplo, imagine que existe um excesso de médias baixas. Você pode atenuar as médias baixas e aumentar o volume geral - ou acentuar graves, médias altas e agudos e abaixar o volume geral. Gosto mais do primeiro processo porque leva a um melhor controle do nível geral e tende a introduzir menos ruídos no sinal.

* Se você estiver dando ganho demais em uma determinada região, está acontecendo algum problema: ou a freqüência a acentuar não é esta, ou o instrumento não fala nesta região, ou alguém cortou exageradamente essa região na gravação. Experimente mudar a freqüência ou inverter o processo, atenuando as outras regiões e aumentando o nível geral.

* Se você estiver acentuando ou atenuando a mesma freqüência em vários instrumentos, desconfie da monitoração ou da acústica da sala de mixagem ou de onde foi gravado; ouça em outros lugares ou em um local familiar, ou mesmo de fone.

* Equalizador não é substituto para um instrumento mal gravado, um arranjo mal-feito ou coisas do gênero, mas como já estamos na etapa de mixagem, muitas vezes é a única ferramenta de que dispomos para corrigir estes problemas.

Tabela de regiões

Veremos agora uma tabela que resume algumas características de cada oitava do espectro de freqüências e os termos usados no estúdio para definir sua falta ou excesso em mixagens. Isso pode ajudar quando alguém diz que sua voz soa fanha.

TABELA 1


Por onde eu começo?

Esta é  a pergunta que todo mundo se faz quando tem um canal a equalizar. A experiência vai ajudá-lo a se orientar, mas como ponto de partida, eu e Guilherme Reis demos uma ampliada na tabela do Gars Kulka, acrescentando também instrumentos brasileiros. Lembre que os valores e comentários abaixo tentam ser apenas pontos de referência e muitas vezes você vai querer fazer justamente o oposto do que sugerimos. Sinta-se livre para experimentar.

TABELA 2


TABELA 3


TABELA 4





Mixagem - por Fábio Henriques

Se você tem interesse em trabalhar com produção musical, engenharia de som ou masterização tem que conhecer os segredos da Mixagem.
São poucos os lugares que oferecem um serviço prático e direto quando o assunto é teoria musical e para os amigos autodidatas de plantão, tenho uma dica interessante.
Um amigo de profissão, o engenheiro de som Fábio Henriques, lançou por volta de 2007 se não me engano um livro que foca exatamente naquilo que nos interessa: os segredos de uma boa mixagem.
Afinal, qual é o segredo de uma boa mixagem? Ou melhor: uma boa mixagem tem segredo? Como o próprio Fábio Henriques, diz, de todos os processos envolvidos na gravação musical, a mixagem é provavelmente o mais artístico. "Não existe nenhum limite para o que se pode fazer numa mix." O importante é conhecer as ferramentas para chegar ao resultado desejado - que pode ser, basicamente, qualquer um!
Esse é o papel deste Guia de Mixagem, em que o autor aborda cada etapa - com princípios, tendências, dificuldades e truques - do processo de mixar uma canção, além de dicas de equipamento e técnicas. O livro é o primeiro produzido no Brasil sobre o assunto e traz uma linguagem simples com informações que servem tanto a profissionais quanto a músicos e técnicos que estão montando seu home studio. Ou seja, se uma boa mixagem tiver segredo, ele está nestas páginas.
Fábio Henriques tem 45 anos e trabalha como engenheiro de som há 14. No final dos anos 90, criou, na Escola Rio Música, o curso de Técnicas de Gravação, um dos primeiros da área no país. Depois de realizar projetos em estúdios como Discover, AR e Nas Nuvens, hoje é o responsável pelas gravações da gravadora católica Canção Nova. Este é seu primeiro livro.

Vale a pena conhecer!

Mais sobre o Tango Eletrônico - Bajofondo

Já apresentei aqui anteriormente um grupo do qual eu gosto bastante e que trabalha com um estilo musical bem particular. É o Gotan Project com o seu tango eletrônico. Acho bem inusitada essa idéia de mixar os ritmos de dança de salão com a modernidade do eletrônico, e o resultado disso foi um ritmo deveras bem interessante.
Outro grupo que faz um trabalho de impacto e que assemelha-se bastante ao Gotan Project é o Bajofondo, formado por músicos contemporâneos argentinos e uruguaios. O grupo ficou conhecido com a música 'Pa Bailar', tema de abertura da novela A Favorita, exibida pela Rede Globo de televisão.

Abaixo seguem dois videoclipes da música. O primeiro mostra alguns passos de danc music incorporando o ritmo do tango eletrônico, e o segundo conta com a participação da cantora Julieta Venegas dando voz à melodia ritmada.


Pa' Bailar (Tanguera Electronica) - Bajofondo


Pa' Bailar - Bajofondo e Julieta Venegas

Trabalho de excelente qualidade, vale a pena conhecer outras músicas deste grupo.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Ke$ha

Musicalmente falando eu não gosto muito do estilo da Kesha, porém, acredito que ela faça bem o seu trabalho. Assim como Lady Gaga, aliás, acredito que a garota deva ter se inspirado bastante nos looks e estilo espalhafatosamente peculiar de Gaga, apenas carregando-o com um tom mais trash e menos glamouroso. Enfim, assim como a Lady do pop, Kesha faz uso de excelentíssimos vermes de ouvido que fazem com que suas canções fiquem empregnadas na mente dos ouvintes.
É sras e srs, estamos falando de sucessos como Tik Tok e Blah Blah Blah. Nomes conotativamente infantis e  despretenciosos mas que mixados com um simples sampler adquirem o poder de grudar no seu cérebro e te fazer cantarolar durante horas a fio. Acho que esse poderia ser considerado um dos grandes segredos da música. rs.
Outra grande sacada da cantora é o fugurino audacioso, lembra muito dos anos 80 eu diria.


O estilo rebelde dá voz a uma geração de jovens despretenciosos e enérgicos, bem naquela linha do "sexo, drogas e rock'n'roll". Acho interessante isso, afinal, todos nós temos um pouco desse sangue rebelde correndo nas veias.
Embora esse estilo rebelde da música seja um dos grandes modismos fonográficos, não é qualquer artista que consegue incorporar essa personalidade. É preciso ter atitude, e é esse tipo de atitude que Kesha consegue transmitir. As vezes dá para olhar para ela e realmente imaginá-la escovando os dentes com Jack Daniels.



  
A garota diz que intimida os homens, e não é difícil imaginar o porquê. Kesha me faz lembrar a saudosa Madonna dos anos 80 em certos momentos. Apesar de simpatizar com algumas particularidades da irreverência de Kesha, acredito que ela não passe de outro ícone modista, muito distante de ser uma precursosa de estilo, assim como foram Madonna e Cindy Lauper. É como eu disse em outra ocasião, acredito que hoje em dia não haja artista com porte para ocupar o papel de precursor de estilo e ser o marco de uma geração. Há uma carência de talento na geração atual.


Tik Tok - Ke$ha


quinta-feira, 23 de junho de 2011

Justin Bieber

Meninas do meu Brasil e de outros cantos do mundo também, infelizmente! WHAT THE FUCK ARE THIS???
Eu não consigo acreditar que exista uma geração de mulheres capazes de suspirarem por um guri tão... sem graça? Pra não dizer outras coisas, definirei o furacão Justin Bieber em quatro palavras: marketing, patrocínio, petulância e sarrismo.
Senhoras e senhores, como bom músico que sou vos digo que literalmente me doem os ouvidos quando eu ouço uma pequena multidão de guriazinhas estéricas gritando "aaaaaaaaaaaaah, Justiiiiiiiiiiiiinnnnn!!! loookkkk at meeeeee, pleeeeeeeeease!" Ow God, chega a ser desanimador. O mesmo se repete em tantos outros idiomas e eu pergunto a mim mesmo: "what the fuck?".
Nunca entendi como certas coisas conseguem fazer sucesso. Aliás... entendo e muito bem.
A indústria fonográfica é notoriamente um negócio de grande pico, que faz girar centenas de bilhões de dólares todos os anos. Para manter aquecida essa indústria, as maiores produtoras tem de lançar alguns artistas anualmente para fazer girar a economia. Estamos falando de acessoria de imprensa, mídia publicitária, escândalos, lançamento de moda, volta de produtos e jargões etc, etc, etc.
Te parece complicado? Então vou explicar melhor.
Quando uma produtora lança um artista ela não está apenas investindo em uma pessoa que ela acredita ter potecial para ser um grande sucesso. É muito mais do que isso. A produtora escolhe a dedo o artista que ela quer lançar de acordo com a tendência do mercado naquela determinada situação, logo, música também requer uma estratégia administrativa, análise de mercado e previsão da demanda de determinado produto.
Lançaram Justin Bieber. Que lindo!
Ouvi boatos de que o guri foi descoberto por conta de um vídeo que seus pais postaram no youtube. As pessoas viram e se encantaram com a bela voz do piá de rostinho angelical e nariz bem definido. Que gracinha! Em pouco tempo ele aparece como o novo grande fenômeno da música pop, fazendo shows, turnês incríveis pelo mundo, clipes com uso de tecnologia de ponta e aparecendo ao lado de nomes consagrados como Usher e Ludacris e ainda por cima como o galã da mulherada. É Jay-Z, você que se cuide porque até da Beyoncé ele deu em cima.
Mas afinal, o que fizeste tu e tantos outros preferirem Justin Bieber a tantos outros adolescentes ou crianças dignos do mesmo talento (ou até superior)? A resposta é simples: influência da mídia.
Ninguém de respaldo twitou falando bem da Mariazinha ou do Joãozinho, e sim do Justin Bieber. Ninguém patrocinou os pequenos primeiros shows da Aninha ou do Luizinho nos shoppings de elite ou para abrir shows de estrelas consagradas, mas sim o Justin Bieber. Ninguém estava na TV apontando para ti e dizendo "goste da Sophia ou do pequeno Caio porque eles são bons", mas sim o Justin Bieber. Por fim, ninguém começou a tocar nas rádios desesperadamente as músicas da Luíza ou do Antônio para que você tivesse a ilusão de que "porra, todo mundo anda escutando isso? então deve ser bom!!", mas sim o Justin Bieber.
Resumindo, você acaba absorvendo tudo isso por osmose. O meio em que você vive anda tão saturado de Justins que ele acaba entrando no seu cérebro e quando você menos perceber vai estar cantando "baby, baby, baby, ooohh" e passando para frente toda essa falta de musicalidade de um artista pré-fabricado pela indústria cultural (é, tu achaste que ela tinha acabado? engano o teu!).
Eu não gosto e não apóio artista sem talento. Acredito em sonhos, porém sonhos não podem ser construídos por pessoas vazias. Quem nunca correu atrás de um sonho, nunca idealizou, nunca teve a porta batendo na cara não tem conteúdo suficiente para enfrentar um palco. Músico vazio não existe. O que existe é uma imagem que a mídia tenta vender à vocês como forma de modelo a ser seguido.
Infelizmente, tem muita gente compando por aí...

História da Música

Breve texto que me apresentaram. Li, concordei com algumas coisas, achei interessante, portanto, indico.


Podemos dizer que a “Música” é a arte de combinar os sons e o silêncio. Se pararmos para perceber os sons que estão a nossa volta, concluiremos que a música é parte integrante da nossa vida, ela é nossa criação quando cantamos, batucamos ou ligamos um rádio ou TV. Hoje a música se faz presente em todas as mídias, pois ela é uma linguagem de comunicação universal, é utilizada como forma de “sensibilizar” o outro para uma causa de terceiro, porém esta causa vai variar de acordo com a intenção de quem a pretende, seja ela para vender um produto, ajudar o próximo, para fins religiosos, para protestar, intensificar noticiário, etc.
A música existe e sempre existiu como produção cultural, pois de acordo com estudos científicos, desde que o ser humano começou a se organizar em tribos primitivas pela África, a música era parte integrante do cotidiano dessas pessoas. Acredita-se que a música tenha surgido a 50.000 anos, onde as primeiras manifestações tenham sido feitas no continente africano, expandindo-se pelo mundo com o dispersar da raça humana pelo planeta. A música, ao ser produzida e/ou reproduzida, é influenciada diretamente pela organização sociocultural e econômica local, contando ainda com as características climáticas e o acesso tecnológico que envolvem toda a relação com a linguagem musical. A música possui a capacidade estética de traduzir os sentimentos, atitudes e valores culturais de um povo ou nação. A música é uma linguagem local e global.
Na pré-história o ser humano já produzia uma forma de música que lhe era essencial, pois sua produção cultural constituída de utensílios para serem utilizados no dia-a-dia, não lhe bastava, era na arte que o ser humano encontrava campo fértil para projetar seus desejos, medos, e outras sensações que fugiam a razão. Diferentes fontes arqueológicas, em pinturas, gravuras e esculturas, apresentam imagens de músicos, instrumentos e dançarinos em ação, no entanto não é conhecida a forma como esses instrumentos musicais eram produzidos.
Das grandes civilizações do mundo antigo, foram encontrados vestígios da existência de instrumentos musicais em diferentes formas de documentos. Os sumérios, que tiveram o auge de sua cultura na bacia mesopotâmia a milhares de anos antes de Cristo, utilizavam em sua liturgia, hinos e cantos salmodiados, influenciando as culturas babilônica, caldéia, e judaica, que mais tarde se instalaram naquela região.
A cultura egípcia, por volta de 4.000 anos a.C., alcançou um nível elevado de expressão musical, pois era um território que preservava a agricultura e este costume levava às cerimônias religiosas, onde as pessoas batiam espécies de discos e paus uns contra os outros, utilizavam harpas, percussão, diferentes formas de flautas e também cantavam. Os sacerdotes treinavam os coros para os rituais sagrados nos grandes templos. Era costume militar a utilização de trompetes e tambores nas solenidades oficiais.
Na Ásia, a 3.000 a.C., a música se desenvolvia com expressividade nas culturas chinesa e indiana. Os chineses acreditavam no poder mágico da música, como um espelho fiel da ordem universal. A “cítara” era o instrumento mais utilizado pelos músicos chineses, este era formado por um conjunto de flautas e percussão. A música chinesa utilizava uma escala pentatônica (cinco sons). Já na Índia, por volta de 800 anos a.C., a música era considerada extremamente vital. Possuíam uma música sistematizada em tons e semitons, e não utilizavam notas musicais, cujo sistema denominava-se “ragas”, que permitiam o músico utilizar uma nota e exigia que omitisse outra.
A teoria musical só começou a ser elaborada no século V a.C., na Antiguidade Clássica. São poucas as peças musicais que ainda existem deste período, e a maioria são gregas. Na Grécia a representação musical era feita com letras do alfabeto, formando “tetracordes” (quatro sons) com essas letras. Foram os filósofos gregos que criaram a teoria mais elaborada para a linguagem musical na Antiguidade. Pitágoras acreditava que a música e a matemática formavam a chave para os segredos do mundo, que o universo cantava, justificando a importância da música na dança, na tragédia e nos cultos gregos.
É de conhecimento histórico que os romanos se apropriaram da maioria das teorias e técnicas artísticas gregas e no âmbito da música não é diferente, mas nos deixaram de herança um instrumento denominado “trompete reto”, que eles chamavam de “tuba”. O uso do “hydraulis”, o primeiro órgão cujos tubos eram pressionado pela água, era freqüente.
Hoje é possível dividir a história da música em períodos específicos, principalmente quando pretendemos abordar a história da música ocidental, porém é preciso ficar claro que este processo de fragmentação da história não é tão simples, pois a passagem de um período para o outro é gradual, lento e com sobreposição. Por volta do século V, a igreja católica começava a dominar a Europa, investindo nas “Cruzadas Santas” e outras providências, que mais tarde veio denominar de “Idade das Trevas” (primeiro período da Idade Média) esse seu período de poder.
A Igreja, durante a Idade Média, ditou as regras culturais, sociais e políticas de toda a Europa, com isto interferindo na produção musical daquele momento. A música “monofônica” (que possui uma única linha melódica), sacra ou profana, é a mais antiga que conhecemos, é denominada de “Cantochão”, porém a música utilizada nas cerimônias católicas era o “canto gregoriano”. O canto gregoriano foi criado antes do nascimento de Jesus Cristo, pois ele era cantado nas sinagogas e países do Oriente Médio. Por volta do século VI a Igreja Cristã fez do canto gregoriano elemento essencial para o culto. O nome é uma homenagem ao Papa Gregório I (540-604), que fez uma coleção de peças cantadas e as publicou em dois livros: Antiphonarium e as Graduale Romanum. No século IX começa a se desenvolver o “Organum”, que são as primeiras músicas polifônicas com duas ou mais linhas melódicas. Mais tarde, no século XII, um grupo de compositores da Escola de Notre Dame reelaboraram novas partituras de Organum, tendo chegado até nós os nomes de dois compositores: Léonin e Pérotin. He also began the “Schola Cantorum” that gave great development to the Gregorian chant.
A música renascentista data do século XIV, período em que os artistas pretendiam compor uma música mais universal, buscando se distanciarem das práticas da igreja. Havia um encantamento pela sonoridade polifônica, pela possibilidade de variação melódica. A polifonia valorizava a técnica que era desenvolvida e aperfeiçoada, característica do Renascimento. Neste período, surgem as seguintes músicas vocais profanas: a “frótola”, o “Lied” alemão, o Villancico”, e o “Madrigal” italiano. O “Madrigal” é uma forma de composição que possui uma música para cada frase do texto, usando o contraponto e a imitação.
Os compositores escreviam madrigais em sua própria língua, em vez de usar o latim. O madrigal é para ser cantado por duas, três ou quatro pessoas. Um dos maiores compositores de madrigal elisabetano foi Thomas Weelkes.
Após a música renascentista, no século XVII, surgiu a “Música Barroca” e teve seu esplendor por todo o século XVIII. Era uma música de conteúdo dramático e muito elaborado. Neste período estava surgindo a ópera musical. Na França os principais compositores de ópera eram Lully, que trabalhava para Luis XIV, e Rameau. Na Itália, o compositor “Antonio Vivaldi” chega ao auge com suas obras barrocas, e na Inglaterra, “Haëndel” compõe vários gêneros de música, se dedicando ainda aos “oratórios” com brilhantismo. Na Alemanha, “Johann Sebastian Bach” torna-se o maior representante da música barroca.
A “Música Clássica” é o estilo posterior ao Barroco. O termo “clássico” deriva do latim “classicus”, que significa cidadão da mais alta classe. Este período da música é marcado pelas composições de Haydn, Mozart e Beethoven (em suas composições iniciais). Neste momento surgem diversas novidades, como a orquestra que toma forma e começa a ser valorizada. As composições para instrumentos, pela primeira vez na história da música, passam a ser mais importantes que as compostas para canto, surgindo a “música para piano”. A “Sonata”, que vem do verbo sonare (soar) é uma obra em diversos movimentos para um ou dois instrumentos. A “Sinfonia” significa soar em conjunto, uma espécie de sonata para orquestra. A sinfonia clássica é dividida em movimentos. Os músicos que aperfeiçoaram e enriqueceram a sinfonia clássica foram Haydn e Mozart. O “Concerto” é outra forma de composição surgida no período clássico, ele apresenta uma espécie de luta entre o solo instrumental e a orquestra. No período Clássico da música, os maiores compositores de Óperas foram Gluck e Mozart.
Enquanto os compositores clássicos buscavam um equilíbrio entre a estrutura formal e a expressividade, os compositores do “Romantismo” pretendem maior liberdade da estrutura da forma e de concepção musical, valorizando a intensidade e o vigor da emoção, revelando os pensamentos e sentimentos mais profundos. É neste período que a emoção humana é demonstrada de forma extrema. O Romantismo inicia pela figura de Beethoven e passa por compositores como Chopin, Schumann, Wagner, Verdi, Tchaikovsky, R. Strauss, entre outros. O romantismo rendeu frutos na música, como o “Nacionalismo” musical, estilo pelo qual os compositores buscavam expressar de diversas maneiras os sentimentos de seu povo, estudando a cultura popular de seu país e aproveitando música folclórica em suas composições. A valsa do estilo vienense de Johann Strauss é um típico exemplo da música nacionalista. No Brasil, Villa Lobos é nosso maior representante.
O século XX é marcado por uma série de novas tendências e técnicas musicais, no entanto torna-se imprudente rotular criações que ainda encontra-se em curso. Porém algumas tendências e técnicas importantes já se estabeleceram no decorrer do século XX. São elas: Impressionismo, Nacionalismo do século XX, Influências jazzísticas, Politonalidade, Atonalidade, Expressionismo, Pontilhismo, Serialismo, Neoclassicismo, Microtonalidade, Música concreta, Música eletrônica, Serialismo total, e Música Aleatória. Isto sem contar na especificidade de cada cultura. Há também os músicos que criaram um estilo característico e pessoal, não se inserindo em classificações ou rótulos, restando-lhes apenas o adicional “tradicionalista”.